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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Peter Drucker de saias???

Yes, nós também temos nosso Peter Drucker. De saias. Prestes a completar 73 anos de idade, a psicóloga e educadora carioca Ethel Bauzer Medeiros é uma estrela em ascensão no mercado de palestras para executivos. Ex-titular do Instituto de Estudos Avançados em Educação da FGV-Rio, ela tem encantado platéias do mundo empresarial com uma mistura de sabedoria, vitalidade e bom humor. Uma amostra de sua verve? Veja o que ela disse em uma de suas apresentações, em São Paulo. "As pessoas vão melhorando com a experiência", afirmou. "Vocês têm sorte de estar me ouvindo aos 72 anos. Eu já fui muito pior."

O repertório de piadas e tiradas espirituosas é uma parte importante dos recursos que a vovó guru usa para cativar seus ouvintes. "Só acredito em trabalhar com alegria", afirma Ethel. Ela já se dedicou seriamente ao assunto. Um dos 16 livros que escreveu - todos editados pela FGV e esgotados - abordou jogos e como educar com o auxílio de brincadeiras. Colocando em prática seus princípios, usa um artifício para iniciar as apresentações: ajusta num relógio com alarme o tempo que pretende ocupar. Numa recente palestra para cerca de 100 participantes do encontro anual de formandos do PGA-Programa de Gestão Avançada da Fundação Dom Cabral, no Rio de Janeiro, o momento em que o alarme soou foi seguido por um protesto bem-humorado. "A senhora deve ter colocado a bateria errada no relógio e ele andou depressa demais", disse um dos participantes, identificando-se como representante de uma indústria de relógios. "Por favor, continue."

Foi esse mesmo tipo de reação que o truque do alarme provocou na audiência do Fórum Marketing Industrial 97, realizado em São Paulo, em setembro. Os participantes não se conformaram com a rigidez do tempo. Pediram mais. E, após quase duas horas de palestra, muitos ainda cercaram-na para cumprimentá-la e conhecê-la melhor.

Por que entidades como a Fundação Dom Cabral, e também empresas como Xerox, Acesita e Embraco, têm requisitado a presença de Ethel em seus eventos? O que faz com que essa avó de um netinho de 3 anos prenda a atenção de profissionais de negócios e administração?

"Ela consegue passar para as pessoas uma visão de mundo muito completa, unindo lógica e capacidade intuitiva", afirma Betânia Tanure de Barros, professora e diretora de desenvolvimento de executivos da Dom Cabral. "Ethel faz parte de um elenco restrito que atingiu o nível de sabedoria, conseguindo navegar por sutilezas e paradoxos do conhecimento", diz o consultor José Carlos Teixeira Moreira, professor da FGV-SP e presidente do Instituto de Marketing Industrial. "Assim como Peter Drucker, que tem 82 anos, ela mostra que é possível transcender a idade cronológica e ser cada vez mais moderno. Representa uma meta para todos nós." Mas atenção: não espere ver Ethel falando sobre temas como globalização, vantagens comparativas ou business units. O que as empresas procuram em suas palestras é o seu próprio exemplo de vida, aliado ao questionamento que ajuda a entender a dimensão humana nos negócios. "As empresas me chamam para melhorar a motivação", diz Ethel. "Acham que eu animo o seu pessoal."

Ethel entrou no circuito de conferências há 12 anos. Na época, recém-aposentada da cátedra universitária, ela participou de um encontro da área de RH em São Paulo, expondo sobre técnicas de avaliação, outra de suas especialidades e tema de alguns de seus livros. "Fiquei encantada com sua figura humana e comecei a convidá-la para fazer parte de nossos programas", diz Betânia, que assistiu à estréia.

A partir desse impulso, a atividade de palestrar para executivos consolidou-se como uma nova ocupação para a ex-professora Ethel - que, apesar disso, não tem escritório, agente, nem tabela de preço. "Não faço propaganda, não tenho cartão, uso o telefone de minha residência e só aceito convites que me dão prazer em fazer", diz. Quanto cobra? "Muitas vezes nem sei quanto vão me pagar. Normalmente, recebo o mesmo que os demais conferencistas." Segundo gente bem informada, o cachê varia de 2 000 a até 5 000 dólares por apresentação.

Falar em público - em português, inglês ou espanhol - é uma habilidade que Ethel desenvolvera no meio acadêmico, tanto aqui como lá fora. Formada pela antiga Universidade do Brasil (atual Universidade Federal do Rio de Janeiro), Ethel fez pós-graduação na Northwestern University, de Evanston, Illinois, e no Institut International de Planification de l Éducation, da Unesco, em Paris. Quando voltou ao Rio, após o mestrado de psicologia nos EUA, cursou educação física e passou a praticar vôlei, natação e corrida com barreiras. Atualmente, tem o costume de fazer caminhadas. Dedicada às ciências humanas, também buscou possuir uma boa base em matemática e estatística. "Sempre achei que fazer uma coisa só é pouco."
Como ela avalia o interesse despertado por suas apresentações? "Pelo número de pessoas que me procuram depois das palestras, acho que tenho feito sucesso. A menos que esses que me indicam queiram mal aos próximos ouvintes", diz Ethel.
Adaptação Medeiros, Valdir de

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